A oração de Nietzsche

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A oração de Nietzsche

Aos que conhecem o filósofo que anunciou a “Morte de Deus”, em seu livro: “A Gaia Ciência” enfatizando que o homem tinha que se emancipar da idéia de Deus, para alcançar o (Alem-do-Homem ou Super-Homem) “Übermensch”, como disse em sua outra importante obra: “Assim Falou Zaratustra”. Este formou as bases cultura pós-moderna, e deu um novo rumo ao jeito de fazer filosofia. Estou me referindo a: Friedrich Nietzsche.

Considerado um dos principais filósofos do sec. XlX, indesejado por alguns e amado por outros. Seus escritos, são uma mistura de aforismos com literatura, fazia filosofia como se estivesse escrevendo um romance. Critico ferrenho do idealismo platônico, da moral judaico-cristã e do academicismo de sua época, ao ponto de seus livros só virem ser considerados como filosofia, muitos anos depois de sua morte. Com esses predicados não preciso dizer muito que seus pensamentos não eram muito simpáticos ao cristianismo e a história da filosofia.

Gostaria de mostrar, aos que tem pouca familiaridade com o filósofo, como Nietszche anuncia em seu aforismo 125, de A Gaia Ciência , a morte divina:

O Insensato – Não ouviram falar daquele homem louco que em plena manhã acendeu uma lanterna e correu ao mercado, e pôs- -se a gritar incessantemente: ‘Procuro Deus! Procuro Deus?!’ – E como lá se encontrassem muitos daqueles que não criam em Deus, ele despertou com isso uma grande gargalhada. Então ele está perdido? Perguntou um deles. Ele se perdeu como uma criança? Disse um outro. Está se escondendo? Ele tem medo de nós? Embarcou num navio? Emigrou? – gritavam e riam uns para os outros. O homem louco se lançou para o meio deles e trespassou- os com seu olhar. ‘Para onde foi Deus?’, gritou ele, ‘já lhes direi! Nós o matamos – vocês e eu. Somos todos seus assassinos!

Nietzsche lutava contra os exageros causados pela igreja cristã durante a Idade Média e, com o avanço da ciência, que, ao seu ver, o homem precisa superar-se da idéia da religião. Continua ele:

Mas como fi zemos isso? Como conseguimos beber inteiramente o mar? Quem nos deu a esponja para apagar o horizonte? Que fizemos nós, ao desatar a terra do seu sol? Para onde se move ela agora? Para onde nos movemos nós? Para trás, para os lados, para frente, em todas as direções? Existem ainda ‘em cima’ e ‘em baixo’? Não vagamos como que através de um anda infinito?

Nietzsche queria dar golpes na idéia de Deus que permeou todo o Ocidente, segundo ele, só existiu um cristão, e esse, o mataram na cruz. No entanto, lendo um livro de Augusto Cury, me deparei com essa belíssima oração de Nietzsche – traduzida por Leonardo Boff -, que mostra que filósofo quando jovem, vivia em devaneios teológicos e existências a respeito de Deus. Em suas palavras, é notório sua fuga incessante de Deus, mas, ao mesmo tempo, um coração sedento por Ele.

Transcrevo-lhes a oração:

Oração ao Deus desconhecido*

Antes de prosseguir em meu caminho e lançar o meu olhar para frente uma vez mais, elevo, só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo.

A Ti, das profundezas de meu coração, tenho dedicado altares festivos para que, em cada momento, Tua voz me pudesse chamar.

Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras:”Ao Deus desconhecido”.

 Teu, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrilégios. 

Teu, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo.

Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-lo. Eu quero Te conhecer, desconhecido.

Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.

Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero Te conhecer, quero servir só a Ti. [Friedrich Nietzsche]

Simplesmente lindo. Claro que não tenho nível técnico para dizer algo do pensamento de Nietzsche, reduzindo seu pensar de uma forma imediatista e simplista. Mas, a meu ver, o que fica patenteado é que, Nietzsche ao se referir ao “Deus esta morto”, estava se emancipando da ideia do “Deus” da religião, da intolerância, da ignorância e do fideísmo irracional e fundamentalista que tanto causou e causa massacres e barbáries. E, olhando por esse viés, deveríamos também matar esse “Deus” criado pelo imaginário humano, tão distante do Deus verdadeiro de amor e de paz que é Jesus.

Sola Gratia,

__ Josias Silva, 2013

* Cf. Friedrich Nietzsche in: Augusto Cury, Os segredos do Pai Nosso, p148

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