Eu vejo Deus…

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Eu vejo Deus

Eu vejo Deus na pureza de uma criança, na singeleza de uma flor, nas cores inauditas do arco-íris, na imensidão do oceano, no som mar esbravejante, nas maravilhas da natureza e no infinito do universo. Sim, eu vejo Deus.

Eu vejo Deus, no esplendor da aurora, na brisa da manhã, no sol que nasce para o rico e para o pobre, para justo e o injusto, no ar que respiramos e na vida que há em nós. Sim, eu vejo Deus. Eu vejo Deus na perfeição do corpo humano, na caridade que ainda existe, no amor que é inexplicável, na família reunida, na diversão sadia entre amigos, no prazer de saborear, na ternura do luar. Sim, eu vejo Deus.

Eu vejo Deus na dor que há saudade, na magia da lembrança, no encanto da esperança, no sorrir de alegria, nas lágrimas de emoção, na inspiração do poeta, nas notas de uma canção, e na simples melodia que nos aquece o coração. Sim, eu vejo Deus.

Mas o vejo, principalmente, quando percebo que tão grandes coisas, são tão pequenas e efêmeras, comparadas a grandeza da existência desse Deus.

Quando falamos de Deus, falamos de nós mesmos: do que vemos, do que tocamos, do que sentimos, pois somos apenas reflexos dEle ” Façamos o homem a nossa imagem e semelhança” Gn 1:26. Jesus também, mesmo sendo o Filho de Deus e a maior expressão do próprio Deus, ainda que tenha nos revelado muito do Divino, veio a este mundo como humano.

Nós, mesmo que tenhamos a Bíblia (nosso manual de fé) que nos diz muito a respeito dEle, no entanto, ainda o vemos sob a ótica humana, logo, limitada. Paulo disse: “Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.” 1Co 13:12. Longe do dogmatismo teontológico de quem Ele é (pois há quem pense que sabe até o número do sapato que “Deus” usa) resta-nos apenas pensamentos voláteis a respeito do incognoscível (física e essencialmente falando), do in-imaginável, do absoluto, do perfeito.

Boaventura diz: “Deus está acima: maravilhosamente, inexoravelmente acima. Os reflexos, as sombras e as marcas não lhe bastam; e não nos bastam. Conhecemos apenas o seu nome: Aquele que é. De resto, é inefável e incompreensível. Voltamos os olhos para a luz e temos a impressão de não ver nada; e não compreendemos que justamente essa escuridão é a maior luz que a nossa mente pode conhecer. Deus é puríssimo, absolutamente primeiro, ignora o não ser, não tem nada diferente de si mesmo, é completamente Uno”.

Para finalizar deixo-lhes uma frase de Fenelón: “Tu és tão grande e tão puro em tua perfeição, que tudo o que suponho de meu na ideia que tenho de ti faz com que imediatamente não seja mais tu mesmo. Passo minha vida a contemplar teu infinito; vejo-o e não poderia duvidar dele: mas assim que quero compreendê-lo, escapa-me, não é mais ele, torno a cair no finito”. Por isso, só posso dizer de maneira tênue, entre o real e o in-imaginário, entre o imanente e o transcendente: Eu vejo Deus…

Sola Gratia,

__Josias Silva, 2013

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2 comentários sobre “Eu vejo Deus…

  1. Ao ler estas belas palavras,lembrei de uma canção que minha mãe cantava:

    ” Pelo sol que brilha … Glória a Deus!
    Pela flor que nasce…Glória a Deus!
    Pelos montes altos…Glória a Deus!”
    Ozèias/ Oséias de Paula

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