A Boa Notícia

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A Boa Notícia

O Evangelho é uma boa notícia ou a boa nova, não um bom negócio. O Evangelho é renúncia de si mesmo, não a elevação do EU. O Evangelho é consciência de pecado e perdão dele, e não conciliação com ele (o pecado). O Evangelho é um sofrer por todos e todos por um, e não um por si próprio.

O Evangelho é ser diferente do mundo, não fazer parte dos mesmos ideais: cobiça, individualismo, promiscuidade, interesses próprios, mentira, egoísmo, concorrência, materialismo, vaidade (e vaidade aqui não tem a ver com indumentárias, Salomão explica o termo, que mais diz da glória humana e a ostentação).

O Evangelho é a boa nova para todos, principalmente os excluídos da “perfeita” religião, e a famigerada tradição – quanto a isso o teólogo Joaquim Jeremias diz:

O anuncio da boa nova foi recebido com uma tempestade de indignação, primeiro por que os fariseus rejeitaram a mensagem de Jesus e a partir da tradição houve: incompreensão, revolta, injuria, acusação de blasfêmia e a exigência para que os discípulos se separassem desse sedutor. Isso não foi de causar espanto porque a boa-nova era um tapa na cara de todo sentimento piedoso daquela época, separação em relação aos pecadores, sabe que a mesa estava aberta só aos puros. (…) perdão era somente para os justos, porque para os pecadores valia o julgamento.

O Evagelho é a guerra contra as forças do mal, e não contra os irmãos; o Evangelho é abrir mão de si em favor do outro. O Evangelho é sentir-se o menor e não a nunca de ser o maior. O Evangelho é o ser bom no oculto, e não os melhores lugares para ser visto.

O Evangelho é tão poderoso e perfeito em si, que se o mundo o tivesse abraçado com sinceridade, não haveria guerras, fome, desigualdades, pois tudo que o homem precisa a boa nova traz.

O Evangelho é tudo que mundo não quer (e ja elenquei acima o quer dizer mundo, não confundir “mundo” com questões banais). Se houver alguma semelhança com o mundo, a boa notícia vira manchete de jornal, apenas.

O Evangelho é família, amor, laços de comunhão. O Evangelho é o valor do ser humano, não pelo que ele tem, mas pelo que é, em caráter, honestidade e verdade. “Evangelho” que valoriza mais resultados do que transformação interior, esse – não é boa nova, é uma má notícia.

J.S.

Sal e Luz

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Sal e Luz

Num dos sermões mais lindos do mundo, Jesus compara-nos com o sal e a luz do mundo.

O sal ninguém vê, mas sabemos que ele está ali dando o equilíbrio, percebemos sua importante presença; sem muito escândalo, sem muita auto-afirmação. Ele esta ali temperando tudo. Hoje o sal é muito barato, mas na antiguidade, era de grande valor. O Sal era usado como unidade monetária. O usa da palavra latina “salarium” perdurou por séculos, de onde vem a palavra “salário”.

Aquele que tem Jesus, tem valor como o sal, sua medida é impossível de não ser notado, esteja onde estiver, na cultura que for – vão dizer “ele(a) tem algo diferente”.

Suas atitudes: sua forma mansa de falar, sua honestamente, sua ponderação, sua maneira de inferiorizar-se e de pensar mais no outro do que em si mesmo. Sua paciência, sua forma verdadeira, seu amor ao próximo e perdão ao inimigo, sua caridade com necessitado e ao excluído; seu temor a Deus em qualquer hora ou lugar mesmo estando longe dos olhos de todos. A presença de Jesus em nós é marcante (ou deveria ser).

A luz, só é perceptível e notada, em contraste com as trevas; a luz é o farol em meio a escuridão. A luz, é a saída no fundo escuro do túnel. A luz é nossa diferença de viver em contraste com o mundo; e isso – assim como o sal que não se vê -, só é notado convivendo, é muito mais que de um momento e do que aparentemente se vê.

Às vezes, achamos que ser espiritual é ser visto pelos homens; esta é uma “espiritualidade” construída a partir da religiosidade e do aparente. Esta, assim como espiritualidade aparente dos fariseus combatidos por Jesus, pode ser perigosa, daninha e enganosa. A verdadeira espiritualidade não vê, se nota.

A importância do sal não se vê, mas se sente no tempero, a importância da luz também está ainda além do que vê, está, acima de tudo, no contraste com as trevas. Nas palavras do Mestre segundo Mateus:

Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.

Fácil? Não! Mas que sejamos verdadeiramente o sal e a luz desse mundo. Que Jesus apareça em nós; que morramos para nós mesmo para que Cristo viva em nós.

J.S.