Sou brasileiro todo dia

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Muitos brasileiros são bem engraçados, alguns, qualquer zum, zum, zum de rede social, já fomenta sua “opinião” e aí, faz de conta que são os “patriotas”.

Em relação aos incomodados com a “Oração pela França” em detrimento da lamentável situação de Mariana – MG, quero tecer algumas ponderações:

Então vamos lá! Amo meu país, e tenho preocupações perenes em relação ao seu estado num geral. Não apenas num momento de calamidade pública proveniente de descuidos da propria ambição humana. Mas num todo: questões ecológicas e ambientais, questões sociais e político-econômicas.

Minha preocupação com meu país não é só no dia de tragédias, Copa ou vésperas de Eleições, minha preocupação, é com gente que morre (todos os dias), em roubos, doenças, fome; etc, por conta de políticas públicas que estão engessada à ideologias partidárias de interesses de grupos minoritários.

Minha preocupação com o Brasil, é com o desmatamento de uma Amazonia, que ocupa uma área de mais de 6,5 milhões de km² na parte norte da América do Sul, passando por nove países: o Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, e que, por conta de interesses nada humano, está acabando com a biodiversidade, escravizando índios, reforçando as mudanças climáticas, etc. Aliás, alguém ja ouvir falar em bioética?

Minha preocupação é com um Estado Democrático de Direito que garanta cidadania justa a todos, ao pobre, ao negro, aos excluídos e todos que compõem o Brasil e que deveriam ser iguais perante a lei e terem os mesmos direitos assistidos.

Minha preocupação é com um Estado que garanta (já que pagamos tantos impostos) boa educação, saúde pública de qualidade e segurança, pois faz medo andar nas ruas das grandes metrópoles brasileiras, o “estado de todos contra todos” como diria Hobbes, nós vemos todos os dias diante de nossos olhos.

Minha preocupação, é com políticas econômicas que garantam ao pobre, não apenas às elites, melhores condições de vida e dignidade ante a sociedade. Minha preocupação com o Brasil, é com uma economia deficitária que nos faz vítimas algozes e escravos de nossa própria liberdade.

Minha preocupação com meu Brasil é com uma educação que não emburreca o brasileiro tornando-o “massa de manobra” diante das corporações midiáticas desse país, fazendo-o dormir o sono da ignorância se conformando com a velha política romana do “Pão e Circo”.

Minha preocupação nesse país, é com uma nação mais justa, menos desigual e mais independente. Desde pequeno eu ouvia dizer que o Brasil era o país do futuro, o futuro chegou e ainda continuamos no passado. Embora eu acredite no meu Brasil, reconheça e conheça seus erros e acertos, penso que ainda falte muito.

É isso. Agora, voltando aos incomodados que se sentiram ultrajados por quem trocou foto do Facebook pela cor da França, ninguém perde brasilidade por se comparecer de povos de outras nações. Isso é o cúmulo da ignorância e falta de respeito com o ser humano! Quando se trata da humanidade, é no mínimo ridículo falar em raça ou etnia, esse discurso não combina com quem diz “sofrer” o lamento de alguém. Vamos parar de hipocrisia!

Com relação a orar por Paris é questão de sentir a dor do próximo que – no momento -, tambem são os franceses, seja ele sangue azul, seja branco ou preto, seja cristão ou islâmico, quando o assunto é vida, somos iguais. Sem contar que o assunto envolve o planeta terra. Aí é questão de ler mais um pouco o que está acontecendo no mundo e assistir menos televisão.

Nosso Brasil? Minas Gerais (em evidência por sua triste e lamentável situação e que necessita de ajuda) Nordeste, Centro-Oeste, enfim, nossa terra? Esse precisa de oração todos os dias e, principalmente, de pessoas honestas e justas que governem bem e pensem um país melhor levando-o a uma práxis desses pensamentos.

E já que falamos também do triste episódio de Mariana (MG), convido o profeta Drummond para que tome a palavra e explique a questão de modo inteligente sem essa crítica hipócrita da hipocrisia dos “nacionalistas” de dia de Copa:

Lira Itabirana”, Carlos Drummond de Andrade, 1984

O Rio? É doce.

A Vale? Amarga.

Ai, antes fosse

Mais leve a carga.

II

Entre estatais

E multinacionais,

Quantos ais!

III

A dívida interna.

A dívida externa

A dívida eterna.

IV

Quantas toneladas exportamos

De ferro?

Quantas lágrimas disfarçamos

Sem berro?

Da Pátria amada Mãe gentil,

J.S.