Conhecer é sofrer

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Conhecer é sofrer

Passa-se os anos e percebo que cada momento se me escapam os minutos da vida que tenho a adiante, de repente no romper da aurora, acordei com 40 anos. Não estou velho. Eu sei. Todavia já estou na idade madura e breve a velhice. Mas é incrível como que o passar tempo vou me moldado à novas preocupações, novas perspectivas do mundo e novos valores, antes não vistos.

O maior exemplo, é meu olhar crítico com relação ao que ocorre ao nosso redor: família, igreja, país, mundo etc. Parece-me que quanto mais vou aprendendo com a vida, com os livros, com as pessoas, mas percebo o quanto a vida é dor. O quanto a vida é trágica.

Talvez para alguém que está acostumado a escutar as famosas frases de auto-ajuda “você nasceu pra vencer” isso soa como nosense, mas me refiro aos problemas que todos temos, uns mais do que outros, admitamos, mas todos temos.

Talvez para você que tem um bom trabalho, uma boa casa, uma boa familia, é loucura afirmar que a vida é trágica. Mas me refiro ao mundo que talvez nós não queiramos ver, de gente que sofre ao nosso lado sem ter o que comer. Gente que perdeu ente querido assassinado por delinqüentes. Gente que sofre porque nasceu pobre e não consegue mudar de viva e não tem dinheiro para ter onde morar e sustentar sua família. Gente que nesse momento está agonizando em estágio terminal numa fila hospital sem nenhuma perspectiva de vida.

O que acontece é que, quanto mais conheço do mundo nas minhas leituras, e observo “A vida como ela é” (Nelson Rodrigues) mais me aborreço com o que as coisas são. Há uma inconformidade com reações do ser humano, com o descaso com o semelhante, com a vida. Basta olhar os jornais, ver que o mundo a cada dia vai de mal a pior.

O conhecimento me mal trata, mas não posso ser indiferente ao que é verdade e está diante dos meus olhos “a verdade liberta” diz o Mestre. Quanto mais conheço a história das civilizações, o homem, a história dos poderosos e a sua “Vontade de poder“, como diz Nietzsche, mais me causa inquietações e indignações diante do status quo que tenta me fazer engolir as coisas como são de modo estruturalista e determinista me tirando a liberdade de pensar.

Não posso aceitar um mundo injusto onde poucos têm tanto e muitos não tem nada; não posso dormir o sono da convivência e conivência cínica e me dizer cristão por que vou aos cultos e choro na palavra e no louvor. Não, não posso ser totalmente feliz se há infelicidades ao meu redor. Não posso me sentir merecedor de uma vida estável enquanto muitos morrem de fome.

Não posso ver o mundo apenas pelas lentes de meus óculos enquanto existe um “mundo de ponta cabeça” diante mim, no dizer de Christofer Hill.

O  conhecimento de como as coisas são, e são, não porque tinham de ser assim, mas porque alguém assim as fez ser, me maltrata e me causa desgosto. Salomão, talvez o homem mais pessimista e realista da bíblia lamenta o saber comparando com o sofrer:

…me esforcei para compreender a sabedoria, bem como a loucura e a insensatez, mas aprendi que isso também é correr atrás do vento. Pois quanto maior a sabedoria, maior o sofrimento; e quanto maior o conhecimento, maior o desgosto” Eclesiastes 1.17-18.

Conhecer é sofrer. E uma vez que “A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original” (Albert Einstein). Não olhar para o que a vida tem de maltrato e de mórbido, nos torna insensíveis, imbecilizados; não buscar conhecimento do que podemos aprender para que a vida seja melhor, dando as costas para realidade, e as discrepâncias desse mundo, – bailando com felicidade sangrenta de outrem – é o ápice do cinismo.

Agora entendi Nietzsche em “O Nacimento da Tragédia” pois as tragédias gregas (peças teatrais normalmente mostrando os infortúnios da vida) queriam ser a reflexão do que se pode a melhorar. As tragédias nos ensinam mais do que as festas. Temos mais a aprender com as lágrimas do que com o sorriso. Não foi isso que Salomão disse “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete; porque naquela se vê o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração” pois ali está a reflexão do que é a vida.

Por vezes, para disfarçar “O mal estar da civilização“(Sigmund Freud) que há entre nós, nos apegamos ao “Pão e Circo” – política vigente no Império romano quando estava dando seus sinais de crise -, e precisava entreter o povo que sofria, fazendo-os esquecer dos seus problemas – por isso os “espetáculos” com a morte de cristãos no Coliseu. Segundo Nietzsche, quando a Grécia trocou as tragédias pelas comédias, sua cultura entrou em decadência. (Claro que não estou advogando o sofrer, ser feliz e sorrir é tudo que queremos e faz bem, mas, sorrir de tudo é burrice).

Assim são muitos que preferem se entreter com circos a refletir na realidade monstruosa da vida.

Assim, às vezes, somos até em nossas igrejas, reconheçamos que há crises mas nos contentamos com “Pão e Circo” em um culto que nos sintamos bem, e que já nos põe na zona de conforto. Para que pensar, para que chorar se a vida é bela? Para que sofrer com problemas alheios se estou bem? Se queremos paz e sossego, realmente, fiquemos em nossa poltrona confortável “cada um com seus problemas, eu quero é ser feliz”.

Me sinto inócuo, impotente, preciso sair dessa inércia, palavras ja não me satisfazem, preciso ser mão que ajuda o necessitado, quero ser o sol que ilumina o dia escuro de alguém. Quero ser luz. Me sinto mal de viver em meio ao caos do mundo, me sinto mal em buscar conhecer, e, passando a conhecer, me manter na estera dos teóricos que tem o diagnóstico mas não aplica o remédio. Conhecer é sofrer…

J.S.

 

Sal e Luz

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Sal e Luz

Num dos sermões mais lindos do mundo, Jesus compara-nos com o sal e a luz do mundo.

O sal ninguém vê, mas sabemos que ele está ali dando o equilíbrio, percebemos sua importante presença; sem muito escândalo, sem muita auto-afirmação. Ele esta ali temperando tudo. Hoje o sal é muito barato, mas na antiguidade, era de grande valor. O Sal era usado como unidade monetária. O usa da palavra latina “salarium” perdurou por séculos, de onde vem a palavra “salário”.

Aquele que tem Jesus, tem valor como o sal, sua medida é impossível de não ser notado, esteja onde estiver, na cultura que for – vão dizer “ele(a) tem algo diferente”.

Suas atitudes: sua forma mansa de falar, sua honestamente, sua ponderação, sua maneira de inferiorizar-se e de pensar mais no outro do que em si mesmo. Sua paciência, sua forma verdadeira, seu amor ao próximo e perdão ao inimigo, sua caridade com necessitado e ao excluído; seu temor a Deus em qualquer hora ou lugar mesmo estando longe dos olhos de todos. A presença de Jesus em nós é marcante (ou deveria ser).

A luz, só é perceptível e notada, em contraste com as trevas; a luz é o farol em meio a escuridão. A luz, é a saída no fundo escuro do túnel. A luz é nossa diferença de viver em contraste com o mundo; e isso – assim como o sal que não se vê -, só é notado convivendo, é muito mais que de um momento e do que aparentemente se vê.

Às vezes, achamos que ser espiritual é ser visto pelos homens; esta é uma “espiritualidade” construída a partir da religiosidade e do aparente. Esta, assim como espiritualidade aparente dos fariseus combatidos por Jesus, pode ser perigosa, daninha e enganosa. A verdadeira espiritualidade não vê, se nota.

A importância do sal não se vê, mas se sente no tempero, a importância da luz também está ainda além do que vê, está, acima de tudo, no contraste com as trevas. Nas palavras do Mestre segundo Mateus:

Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.

Fácil? Não! Mas que sejamos verdadeiramente o sal e a luz desse mundo. Que Jesus apareça em nós; que morramos para nós mesmo para que Cristo viva em nós.

J.S.

Liberdade, Intolerância e Amor

unnamed (3)Liberdade, Intolerância e amor*

Falar de liberdade é falar de um tema muito abrangente e que, por sua vez, demandaria muitas linhas para se dissecar sobre o assunto. Traçaremos apenas um breve relato sem nenhuma profundidade historiográfica sobre alguns acontecimentos que marcaram épocas, culminando numa cosmovisão cristã, a questão da  liberdade e intolerância.

Todos sabem que a liberdade é uma conquista histórica. Por muitos séculos, a intolerância massacrou a vida de inúmeras pessoas tirando-lhes o direito de serem livres. A intolerância matou milhares de pessoas na “santa” inquisição, exercida pela igreja católica romana em nome de “Deus”; a intolerância matou centenas de huguenotes (protestantes franceses) sob o rei Carlos IX na França absolutista, não poupando nem as crianças de colo, na famosa carnificina da noite de São Bartolomeu, no sec.XVI.

A intolerância matou milhares de pessoas nas famosas Cruzadas, lideradas pela Igreja Católica, com o intuito de “libertar” Jerusalém do jugo dos muçulmanos; a intolerância matou milhares de pessoas no fascismo de Mussolini na Itália, todos aqueles que não aceitavam o seu regime eram executados. A intolerância matou pelo menos 6 milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial sob o Nazismo de Hitler, sem contar com a morte de milhares de homossexuais, iugoslavos, eslavos, soviéticos, deficiente físicos e mentais, chineses, japoneses, alemães, americanos, ingleses, civis entre outros.Totalizando o número de mais de 60 milhões de mortos.

A intolerância matou cerca de 20 milhões pessoas no regime comunista da antiga União Soviética, sob Lênin e Stálin; a intolerância deixou a Alemanha dividida por um muro, chamado Muro de Berlim, para que as ideias capitalistas não afetassem as do socialismo.

A intolerância matou mais de 400 pessoas na Ditadura Militar aqui no Brasil sob torturas e humilhações; a intolerância matou inúmeras pessoas em várias partes do mundo, e ainda mata, como ocorre atualmente nos países Árabes. Sabe por que todas essas pessoas morreram e outras ainda morrem? Pelo simples fato de pensarem diferente ou não se enquadrarem ao escopo ideológico de seus sistemas vigentes. Quando eu disse acima que a liberdade é uma conquista histórica, tenho em mente todos esses fatos que apenas resumi aqui, pois não daria para falar de todos.

Ainda que haja pessoas que são escravas de sua liberdade por não saber usá-la, pois por serem livres se esquecem que não possuem apenas direitos, mas também deveres, porém, acho uma benção hoje podermos ser livres para pensar, livres para termos nossa religião e nosso posicionamento político. E Jesus é essa liberdade, ele não força ninguém a ir para o céu nem para o inferno. Como diz as Escrituras: “Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito” (Zc 4.6).

Jesus é educado e deixa cada um decidir o que quer, porque a verdade que liberta, é livre da intolerância. Quem ama não impõe, nem aprisiona, mas deixa livre: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele” (Ap 3,19). Claro que isso não quer dizer que temos que nos calar diante do pecado, não estou dizendo isso. Estou dizendo que amor e intolerância não se combinam. Mesmo que amar seja dizer a verdade: “Melhor é a repreensão aberta do que o amor encoberto.” (Pv 27:5).

Entretanto, uma das maneiras que Jesus usou para alcançar os excluídos, como os samaritanos, os publicanos, os cananeus e os pecadores – que eram marginalizados pela tradição religiosa da época – foi convivendo com as diferenças, mostrando que somos todos iguais diante de Deus. Assim os atraía para os seus ensinamentos, falando a verdade, mas com amor e respeito.

As vezes achamos que as pessoas têm que pensar como nós, agir como nós, ter os mesmos costumes que os nossos, como se fôssemos “perfeitos e absolutos” e quem não faz parte do nosso mundo, excluímos. Tal como os farizeus faziam. Se Jesus fosse agir assim conosco estaríamos perdidos, pois não há quem se salve, se não for pela misericordia dEle “As misericórdias do Senhor são as causas de não sermos consumidos, porque as Suas misericórdias não têm fim” (Lm 3:22). Mesmo que Ele exija santidade de nós, continua sendo humilde e respeitador. O mais irônico é que a maioria das vezes que vemos Jesus falando duramente, foi com os religiosos intolerantes que se sentiam os donos da verdade . Já pararam para pensar nisso?

Enfim, façamos nossa parte de cristãos, anunciando a Jesus e seus mandamentos e, principalmente, o amor, que é o maior deles. Consequentemente, respeitando ao próximo, porque não possuímos a verdade, falamos da verdade que é Cristo, que está em nós ou pelo menos deveria estar. Este sim, é Absoluto, Imultável, Perfeito. Porém nós, somos humanos, limitados, falhos, imperfeitos e suscetíveis a mudanças, pois não somos absolutos, estamos em processo de melhoramento.

Como disse Voltaire, um grande filósofo do século XVIII “A primeira lei da natureza é a tolerância; já que temos todos uma porção de erros e fraquezas“. Então, que vivamos a liberdade de Jesus, e digamos: Não à intolerância! Todavia não para pecarmos, mas para transformarmos o mundo pelo amor de Cristo. “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pela caridade. Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Gl 5:13-14).

Termino citando-lhes as palavras de Agostinho de Hipona: “Quem é bom, é livre, ainda que seja escravo. Quem é mau é escravo, ainda que seja livre.”

Sola Gratia,

__Josias Silva, 2013

*Postagem publicada em 2013 com o título de “Liberdade e Intolerância” – retomada e atualizada por achar que o tema merece relevância na atual conjuntura.

Quando o Silêncio é Preciso

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Preciso aprender a restringir-me no meu tempo, no meu espaço e no meu silêncio. As palavras podem ser fortes para quem ouve, mas, às vezes, causam vazios para quem as dizem. Não porque as dissemos, mas porque nem sempre é momento de dizê-las. O dizer, em certas ocasiões, pode ser uma forma masoquista e cruel de machucar-se, quase uma autofagia.

Mas penso que a vida é essa eterna dicotomia: as palavras e o silêncio; o bem e o mal; as ternuras e desventuras; – a felicidade e a tristeza. Na realidade, a felicidade só é feliz quando existe tristeza. A tristeza faz um minuto de alegria ter gosto de quero mais. Assim, cada minuto que passamos para chegar ao topo da montanha é precioso. A felicidade, pode não está lá em cima, mas no caminho para de chegar lá. E esse caminho, pode ser as alegrias e tristezas que fazem a felicidade valer a mais pena.

Aqui poderíamos chamar de <alegria> o falar; e de <tristeza> o silêncio. Como a Bíblia diz “tempo de chorar e tempo de rir (…) tempo de estar calado, e tempo de falar”. (Eclesiastes 3:4;7)

Portanto, o silêncio é preciso. O silêncio, traz introspecção. E esse interiorizar-se é encontrar-se consigo mesmo – com sua alma: suas verdades e mentiras, erros e acertos, virtudes e pecados – razões e emoções. Para mim, que sou ávido pelas palavras e a expressão escrita, é quase um jejum. Mas necessário. Talvez por isso o inquieto José Saramago (que já não esta entre nós) disse:

Há ocasiões que é mil vezes preferível fazer de menos que fazer de mais, entrega-se o assunto ao governamento da sensibilidade, ela, melhor que a inteligência racional, saberá proceder segundo o que mais convenha à perfeição dos instantes seguintes.

O silêncio, muitas vezes, é como as imagens das nuvens que se formam no céu – silencioso, porém nos dizem – mesmo sem palavras – qual a direção do tempo, se haverá tempestade ou bonança.

O silencio, é o momento reflexivo entre o pensar e o falar – para depois saber o que fazer. Entendo que no silencio também encontramos Deus, pois Ele não fala só no soprar do vento (como em Pentecostes) – mas também na calmaria (como quando acalmou e vento e o mar no barco com os discípulos).

Citando mais uma vez José Saramago – em um de seus devaneios agnósticos, nos diz algo totalmente teísta – talvez sem se dar conta “Deus é o silêncio do universo, e o homem o grito que dá um sentido a esse silêncio”. E quantas vezes não gritamos calados…

O inteligentíssimo Machado de Assis, diz em um dos seus contos “Muitas coisas melhor se diz calado, pois o silêncio não tem fisionomia mas as palavras, sim, muitas faces

Estar em silencio, é reconhecer a nossa finitude e as nossas limitações; e por as inquietações da alma somente em Deus. Estar em silencio, é ter esperança quando as possibilidades humanas se esgotam e só nos resta depender do Divino…

Servo de Cristo,

Josias Silva

O Tempo e a Saudade

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Das coisas mais tristes, e também mais lindas de se sentir – é a saudade. A saudade é algo difícil de explicar, na realidade, toda emoção é difícil de explicar; e saudade é emoção. Saudade tem a ver com a alma. É como tentar explicar a lágrima, não há explicação, por mais cientificamente que se tente explicar, não pode explicar a vontade chorar. Saudade não se explica, se sente.

Saudade é como quando a gente é pequena, e tem vontade de comer doce, a vontade não passa enquanto não comemos. Só que quando a gente é adulto, nem sempre conseguimos comer os doces que queremos, pois, às vezes, eles nem fazem mais parte desse mundo, ai, a vontade e saudade se confundem. Rubem Alves diz no seu livro Tempus Fugit, que significa – O tempo foge: “Quem sabe que o tempo está fugindo descobre, subitamente, a beleza única do momento que nunca mais será”

Às vezes sinto saudades de coisas singelas – como ver meu pai chegando às sextas-feiras do trabalho e ficar feliz porque no sábado de manhã iríamos na casa do meu tio, Zequinha; ou para algum lugar que faríamos uma parada no “rancho da pamonha”. E eu iria me deliciar com saborosas pamonhas. Saudade de quando minha mãe fazia roupas para mim e eu saía me exibindo para meus coleguinhas da escola, me sentindo muito bem vestido e feliz; mas não havia sentindo de competição ou rivalidade, era tudo muito puro.

Saudade de quando íamos à igreja e não víamos maldade nas pessoas, não percebíamos que havia ganância por posição, status, poder e exclusivismos. Não se notava tanto egoísmo e egocentrismo. Deus era a única coisa que importava, parece que havia uma comunhão intensa entre a maioria; o comum era mais importante que o individual. Tudo parecia ser muito correto e havia um grande temor da maior parte de nós com as coisas de Deus. Nesse tempo ninguém precisava de subterfúgios para ir à igreja. E não havia, tal como Nicolau Maquiavel “os fins justificam os meios” para dar resultados – Jesus era o começo o meio e o fim.

Saudade de lugares que nunca mais vi; uma nostalgia que parece nos arrebatar. Saudade de ouvir meu irmão, o Ezequiel ou “Quiel” (como o chamávamos), cantando Caetano Veloso, e eu ficar de olho em seus dedos para aprender tocar violão; como na música Tigresa “E eu corri pra o violão num lamento, e a manhã nasceu azul. Como é bom poder tocar um instrumento”. Saudade de ser inocente e achar que todo mundo era bom, e que o futuro seria sempre um amanhã muito distante, pois ainda havia muito tempo. Saudade de boas risadas com amigos que eram mais que irmãos e que nunca esquecemos.

Saudade de quando era domingo de manhã, e minha mãe fazia cuscuz pernambucano para comermos. Hmm!, valia muito a pena acordar cedo. Saudade quando chegava à época de Natal, e meu pai trazia um panetone que ficava guardado em cima da geladeira para ser servido somente no Natal. E eu não via a hora de chegar o Natal para comê-lo!

Cecilia Meireles nos da uma ideia do que é saudade no poema “Silenciosas Lembranças”

De que são feitos os dias?
– De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.

Entre mágoas sombrias,
momentâneos lampejos:
vagas felicidades,
inatuais esperanças.

De loucuras, de crimes,
de pecados, de glórias
– do medo que encadeia
todas essas mudanças.

Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces
e em sinistras alianças…

 Fernando Pessoa já diz de uma maneira mais nostálgica sobre a saudade:

Saudades! Tenho-as até do que me não foi nada, por uma angústia de fuga do tempo e uma doença do mistério da vida. Caras que via habitualmente nas minhas ruas habituais – se deixo de vê-las entristeço; e não me foram nada, a não ser o símbolo de toda a vida.

Saudade tem a ver com tempo. Saudade é a vontade de voltar a um tempo que já não existe, mas que ainda há dentro do coração. Rubem Alves diz: “A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.” Aliás o tempo parece ser eterno, pois, se paremos pra pensar, quem passa, não é o tempo, somos nós. Por isso a alma eterniza a memória do que já não há para nós, mas que, para ela (a alma) – ainda existe. A alma é nossa eterna finitude frente a infinitude de um momento. O tempo, no sentido cronológico, é criação humana. Mas o tempo em si, é livre de tempo: é atemporal, é continuo, é perene – é eterno. A eternidade, sempre existiu. Sendo assim, pode se dizer que, na realidade, o tempo nunca houve, nem haverá, o tempo é o agora.

Depois que escrevi estas sentenças, fui ler o poeta dos poetas, T.S Eliot, e fiquei espantado com a constatação da similaridade de ideia em relação ao tempo; percebi que não estou só nesse afirmação. Vejamos:

O tempo presente e o tempo passado. Estão ambos talvez presentes no tempo futuro. E o tempo futuro contido no tempo passado. Se todo o tempo é eternamente presente. Todo tempo é irremedivel. O que poderia ter sido é obstração Que permanece, perpétua possibilidade. Num mundo apenas de especulação. O que poderia ter sido e o que foi. Convergem para um só fim, que é sempre presente. Ecoam passos na memória. Ao longo das galerias que não percorremos. Em direção à porta que jamais abriu. Para o roseiral. Assim ecoam minhas palavras. Em tua lembrança.

Rubem Alves, parafraseando Adélia Prado, também tem alguma coisa a dizer em relação a eternidade e memoria, que poderíamos traduzir por Tempo e Saudade. Diz ele:

Aquilo que está escrito no coração não
necessita de agendas porque a gente não
esquece. O que a memória ama fica eterno
.

O tempo e a saudade são amigos mais que inimigos. São instantes eternos que nos roubam a alma num sonho que sonhamos acordados e sempre existirá.

Josias Silva

Jesus: o Deus humano

ajudando

Quem se propõe a ler os Evangelhos de Jesus com o mínimo de atenção, não precisa ser exegeta para perceber que o teor dos discursos de Jesus era envolto de sensibilidade humana, amor e compressão com a criatura. Jesus era um homem extraordinário, singular, único e sublime. E quando digo “homem” me refiro a humanidade de Cristo, talvez para alguns dizer que Jesus era homem soe como negar sua divindade. Não, pelo contrário, o que também tornou Jesus divino era exatamente o seu lado humano; parafraseando com Nietzsche “Humano, demasiado humano

Seria impossível pensar em Jesus, sem pensá-lo como homem. E na realidade, o lindo de Jesus, não está apenas nos seus atos milagrosos como Deus – que o era também -, mas como já se disse – em sua humanidade. Muitos, ao admirá-lo, querem o poder de milagres que Ele tinha como Deus, mas poucos querem ser tão humano como ele era – perdoando e amando a todos. O homem, como humano, quer ser como Deus; Jesus, como Deus, abriu mão de tudo, e quis ser simplesmente humano. Por isso Leonardo Boff, espantado com tamanha humanidade de Cristo, foi feliz ao dizer: “Sendo tão humano assim, só podia ser Deus mesmo“.

Jesus tinha uma sensibilidade tão grande como humano que não daria para imagina-lo raivoso ou irado. Mesmo que tenha, em certos momentos, se enraivecido com os mercadores de fé no templo, pela revolta do que estavam fazendo em nome de Deus num lugar onde deveria ser somente para adoração. Embora, Ele mesmo depois mostraria que adoração, não estava atrelada apenas ao templo – que para os fariseus era a única forma de adoração. Talvez se vivesse aqui nos dias de hoje, teria o mesmo sentimento com o que os ambiciosos capitalistas que, para sustentar suas vaidades, fazem do nome de Jesus como – disse Frei Betto em um excelente texto -, um “mercado da fé”

Jesus era totalmente contra qualquer tipo de violência e autoritarismo em nome da “religião perfeita” como fazem alguns religiosos fundamentalista ainda nos dias de hoje. Aliás, essa forma de enxergar Jesus como um ditador da religião “pura”, foi quem levou a Igreja católica romana no séc. XVIII, sob o Papa Gregório IX, inventarem a “Santa Inquisição”, matando queimado os que pensavam diferentes dos dogmas da igreja, denominado de “hereges” como forma de “purificação” pois Jesus – diriam eles, é “fogo consumidor”.

Foi essa forma de pensar Jesus como o “zeloso” que fizeram séculos de guerras, entre cristãos e muçulmanos nas famosas Cruzadas em Jerusalém com o intuito de “libertar” Jerusalém do Islã. E, mais adiante no séc. XVI, na história da igreja após a Reforma Protestante, a sangrentas batalhas com os protestantes e o católicos com o propósito de salvaguardar a “sã doutrina” de ambos os lados – como a carnificina na Noite de São Bartolomeu que resultou na morte de milhares de católicos e protestantes.

Jesus nunca teve nada a ver com Isso, pois Ele veio trazer amor e paz, mesmo que sua fala em meio a religiosidade farisaica do seu tempo, soava como uma revolução. Pois quem diz a verdade, sempre arruma inimigos, a zona de conforto é a melhor desculpa aos ditos ”pacificadores”. Lembrei-me de Lutero, “Paz se possível, mas verdade a qualquer preço”. Muitos viam Jesus como o perturbador de Israel, um agitador, um subversivo. Roma, politicamente falando, o via como um perigo a ordem pública – o que era temido pelos romanos dadas as revoltas judaicas já ocorrida na região; os judeus, por sua vez, o considerava como uma ameaça a “verdadeira religião” a famigerada “tradição” que matava, se possível, em nome do “zelo” das coisas de Deus, mesmo que seus corações fossem podres e cheiravam mal com um sepulcro caiados “que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.” (Mt 23:27).

Daí as palavras sempre duras com os fariseus dono da “ortodoxia”, do jeito de “certo” de servir a Deus, principalmente, exteriormente, para todos verem, o que Jesus chamava de hipocrisia; esses, “coavam um mosquito e engoliam um camelo”. (Mt 23: 24). Jesus chega a usar exemplos de pessoas odiadas pelos fariseus, como os samaritanos e cananeus para corrigi-los (Lc 10; Mt 15).  E aqui, como Jesus deixa bem claro, que haverá muita surpresa no céu.

Jesus sempre apregoou o amor, seu lado “raivoso” sempre dispensou para os religiosos. As pessoas comuns, consideradas pecadoras como cobradores de impostos, prostituas, cegos, paralíticos, cegos, pobres e toda a escória da sociedade, Jesus nunca os tratou mal. Sempre amava e ensinava a amar, ao ponto de pedir para amar até os inimigos (Mt 5.43-48). O que Jesus ansiava era que as pessoas fossem mais humanas, mais sensíveis, mais verdadeiras, mais justas, empáticas e menos egocêntricas e exclusivistas. Jesus nos mostra uma forma de viver tão humana, que se o mundo tivesse aceitado, teríamos quase um paraíso. J. Comblin chega a dizer que alguns ensinos no decorrer da historia de igreja sobre Jesus, deturparam quem Ele realmente era e o que queria para humanidade – diz ele: “Como vamos transmitir a mensagem de Jesus, se o que é ensinado é uma doutrina elaborada posteriormente, marcada pela cultura e realidade, pelos impasses e desafios das épocas seguintes?”

Mesmo que nunca desejou as coisas e valores supérfluos desse mundo, ao que parece, Jesus queria que o céu – por assim dizer, – começasse aqui, era como uma volta a Adão no jardim do Éden. Uma correção do que seria o humano no princípio antes da queda. Essa era sua ideia de Reino de Deus, resgatar a bondade humana no próprio sentimento humano, no seu próprio habitat. Seria salvá-lo de si mesmo nesse mundo, para depois salvar sua alma em outro. Concordo plenamente com Leonardo Boff quando pondera:

Jesus não começou anunciando a si mesmo ou à Igreja. Anunciou o Reino de Deus, que significa o sonho de uma revolução absoluta, que se propõe transformar todas as relações que se encontram deturpadas, no pessoal, no social, no cósmico e, especialmente, com referência a Deus. Esse reino começa quando as pessoas aderem a esse anúncio esperançador e assumem a ética do Reino: o amor incondicional, a misericórdia, a fraternidade sem fronteiras, a aceitação humilde de Deus vivido como Pai de infinita bondade.

Por isso Paulo o chama de segundo Adão “Porque, como, pela desobediência de um só homem [o primeiro Adão] muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só [o segundo Adão], muitos se tornarão justos” (Rm 5.19). A. T. Queiruga, um dos teólogos mais lúcidos do universo, diz ” Em Jesus se realiza o melhor de nos“. Por isso prefiro enxergar Jesus como alguém que só amou, que quer perdoar o homem para voltar ser a imagem e semelhança de Deus, que, segundo Calvino – se perdeu com a queda, principalmente no sentido ético. Claro que isso não descarta a sua justiça como o Justo Juiz, que um dia julgará a todos, bons e maus, ímpios e crentes.

Mas quero continuar enxergando o seu amor, pois se não fosse por isso, não sobraria um sequer, pois “todos pecaram e destituídos foram da glória de Deus” (Rm 23:3). Se for para imitar Jesus, que imitemos seu amor com o próximo, sua compaixão, sua sensibilidade e inteireza. Se for para imitá-lo, que imitemos seus atos belos, sua nobreza, sua cordialidade, sua justeza, sua maneira compreensiva, ajudadora e benévola.

Mahatma Gandhi, certa vez ao perguntar-lhe sobre e o cristianismo – disse assim: “Não conheço ninguém que tenha feito mais para a humanidade do que Jesus. De fato, não há nada de errado no cristianismo. O problema são vocês, cristãos. Vocês nem começaram a viver segundo os seus próprios ensinamento”. Pois de qualidade de juiz e raivoso, como se mostrou pouquíssimas vezes, já temos em nós de sobra herdado de Adão, principalmente quando se trata dos pecados dos outros que esbravejamos com desculpa de sermos “zelosos”, mas escondemos os nossos debaixo do tapete de nossa linda religiosidade.

Jesus é amor, é esperança, é verdade – verdade que liberta das prisões interiores e íntimas de nós mesmos. Que libertar-nos dos espelhos mágicos que refletem imagens do que não somos, mas continuamos nos enganando. Como na crônica “Espelho” de Machado de Assis, que diz: “Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para entro” – uma alma exterior que ilusoriamente projetamos como se fôssemos aquilo de fato, e o outra interior e real – que é o que realmente somos. Jesus está além do espelho que a religião projetou dEle, além das amarras feitas por nós mesmos em nome de uma espiritualidade que aprisiona ao invés de libertar.

Jesus é o melhor do ser humano, é a alegria de ser realmente alegre, mesmo na aflição e na dificuldade, e não pelo bem que irei adquirir hoje e que amanhã já não quero mais. Não creio que pessoas que vivem insatisfeitas com o que têm, mesmo tendo, são felizes; mesmo que pareçam muito “espirituais”. Mas a alegria de Jesus está em coisas simples tal como Ele era: ajudar alguém, em ser honesto, em ter paz no interior, em ver no efêmero a eternidade de Deus. E essas qualidades são tão humanas e alegra tanto a alma que chegam ser divinas. E isso, só tem e vê, quem tem a beleza de Cristo dentro de si.

Jesus é amor ao aflito, ao excluído, ao necessitado e desamparado que, às vezes, está do nosso lado, mas estamos muito ocupados com nossa “perfeita religião” e nossos desejos pessoais, para enxerga-los.  Antes de vê-lo com um Deus cruel e sádico, que esta nos esperando errar para nos condenar, eu prefiro ver o amor do Deus-homem: Jesus…
Servo de Cristo,

Josias Silva

Só para Amigos

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Como são raros os amigos (amigos de verdade, sem troca de interesses ou momentâneos). Quem encontrar um, excelente coisa achou. A amizade de verdade, é algo que se conquista e se constrói com o tempo; como o amor, ninguém ama por obrigação, mas ama simplesmente por amar, ou por um ato de reciprocidade que se torna, com o passar do tempo – amor. Aliás, uma das palavras na Grécia Antiga para “amor” era Filéo, que significa “amigo” ou “amizade”

Amigos são aqueles irmãos que não são da família, mas que são quase de sangue; a Bíblia os chama de “amigos mais chegados que um irmão” como João e Jesus. Embora a reciprocidade é marca da verdadeira amizade, no entanto, amigos que dependem uns dos outros para serem amigos, são colegas. A verdadeira amizade não é troca de favor; amigos de verdade se completam “quando um cai o outro levanta“. Há amigos distantes, mas sempre amigos, há amigos defeituosos (e quem não é ) mas sempre amigos.

Acho que por isso o magnífico Fernando Pessoa disse:
É bonito ser amigo, mas confesso: é tão difícil aprender! E por isso eu te suplico paciência. Vou encher teu rosto de lembranças, dá-me tempo, de acertar nossas distâncias.”

Na realidade, amigos são bem mais do que um bom passeio aos finais de semana – o que poderia ser feito com qualquer outra pessoa; aí, o momento de “diversão”, pode ser confundido com o prazer de estar junto. Amigos de verdade, vêem diversão e prazer em conversar sobre quaisquer banalidades; aliás, as “banalidades”, na verdadeira amizade, tornam um minuto de conversa, em uma eternidade de diversão.

Rubem Alves também concorda com isso: “Se o silêncio entre vocês dois lhe causa ansiedade, se quando o assunto foge você se põe a procurar palavras para encher o vazio e manter a conversa animada, então a pessoa com quem você está não é amiga. Porque um amigo é alguém cuja presença procuramos não por causa daquilo que se vai fazer juntos, seja bater papo, comer, jogar ou tramar (…) Com o amigo é diferente. Não é preciso falar. Basta a alegria de estarem juntos, um ao lado do outro. Amigo é alguém cuja simples presença traz alegria independentemente do que se faça ou diga. A amizade anda por caminhos que não passam pelos programas.”

Outro ponto do amigo é a sinceridade, amigo verdadeiro diz sempre a verdade, mas sabe a hora de falar e ouvir, (ademais, ouvir, é um dom de amigo) sabe dar liberdade ao amigo para não sufoca-lo com suas opiniões. Outra vez recorro a Rubem Alves que diz “É preciso saber ouvir. Acolher. Deixar que o outro entre dentro da gente. Ouvir em silêncio. Somente sabem falar os que sabem fazer silêncio e ouvir”.  O que marca da verdadeira amizade, é a arte saber ouvir,  falar e ver qualidades onde há defeitos, se preciso, corrigi-los falando o que se deve ser falado, mas nunca constrangendo e envergonhando.

Enfim, amigo é uma joia preciosa que quem encontrar se torna rico, mesmo continuando pobre. Pois há quem tenha muito dinheiro, e é pobre por não ter verdadeiros amigos. Amigo é como um tesouro que deve ser seguramente bem guardado; Nilton Nascimento acertadamente diz: “amigo é coisa pra se guardar debaixo sete chaves (…) dentro do coração“. Talvez você (como eu) já se decepcionou e tem dificuldades com amigos. Todavia, ame seus verdadeiros amigos e descubra que a vida não foi feita para solidão; há sempre alguém perto de você querendo ser teu amigo, encontre-o, ame-o, valorize-o. Seja para os seus amigos o que gostaria que fossem para você, e verá que ser amigo é a melhor maneira de ter amigos.
Deixo-lhe com Machado de Assis:
Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade! (…)

Servo de Cristo,

Josias Silva