Martin Luther King: lição de luta social-cristã

Martin L King

Dos homens que fizeram história no mundo, um dos quais deixou marcar indeléveis para a humanidade e que admiro muito é Martin Luther King.

Nascido em 15 de novembro de 1929 em Atlanta – Georgia, filho do reverendo Martin Luther King Sr., e de Alberta Williams Rei, fieis da Igreja Batista Ebenezer de quem herdou a fé cristã. King foi um ativista das causas sociais em favor da liberdade e da igualdade do negro na sociedade americana. Em 1951 gradua-se em Teologia na Morehouse College, doutorando-se posteriormente em Filosofia pela Universidade de Boston.

Em Montgomery, no Estado do Alabama, King assume cargo de pastor, região onde tenebrosos conflitos raciais aconteciam. Após a prisão de uma negra que se recusou dar lugar a um branco no ônibus, indignado, Luther King começou sua luta contra a segregação. Pois nos Estados do sul dos EUA a segregação racial tinha o respaldo da lei. A luta contra a discriminação duraria 381 dias culminando na decisão da Suprema Corte de aniquilá-la da Constituição.

Martin Luther King nos deixou um legado de temas importantes para nossa sociedade atual. Dentre suas agendas, o “Dr. King” – como era conhecido – o racismo era causa primordial de sua luta. Todavia, a “não-violência” era o pilar de sua batalha. King acreditava que os conflitos poderiam ser resolvidos de maneira pacifica e os adversários poderiam ser conciliados através de um determinado compromisso mútuo de não violência. A reconciliação fazia parte sua forma de tratar a violência, para King a luta não poderia ser contra pessoas, mas sim contra um sistema mal, a política opressiva e a injustiça.

Em sua filosofia de trabalho, os três males que deveriam ser combatidos eram: a pobreza; o racismo e o militarismo; segundo ele, este tripé era o que gerava o ciclo vicioso de violência.

Sobre a pobreza nas palavras do próprio King: “Não há nada de novo sobre a pobreza. O que é novo, no entanto, é que agora temos os recursos para se livrar dele. Chegou o momento para uma guerra mundial total contra a pobreza… O bem de vida e do seguro têm também muitas vezes se tornam indiferentes e alheios à pobreza e privação em seu meio. Em última análise, uma grande nação é uma nação compassiva. Nenhum indivíduo ou nação pode ser grande se ele não tem uma preocupação com ‘o menor destes.’”

Sobre o racismo: “O racismo é uma filosofia baseada em um desprezo pela vida. É a afirmação arrogante que uma raça é o centro de valor e objeto de devoção, antes que outras raças devem ajoelhar-se em submissão. É o dogma absurdo que uma raça é responsável por todo o progresso da história e só pode assegurar o progresso do futuro. O racismo é estranhamento total. Ele separa não apenas corpos, mas mentes e espíritos. Inevitavelmente ele desce para infligir homicídio espiritual e física, em cima do grupo para fora “.

Sobre o militarismo: “Uma verdadeira revolução de valores imporão as mãos sobre a ordem do mundo (…). Esta forma de resolver diferenças não é justo. Esta maneira de queimar seres humanos com napalm, de encher casas da nossa nação com os órfãos e as viúvas, de injetar drogas venenosas do ódio nas veias de pessoas normalmente humanas, de enviar homens à casa dos campos de batalha escuras e sangrentas deficientes físicos psicologicamente perturbado, não pode ser conciliada com sabedoria, justiça e amor. Uma nação que continua ano após ano a gastar mais dinheiro em defesa militar do que em programas de elevação social está se aproximando da morte espiritual.

Percebe-se claramente que King era um aurato da justiça, sua forma de ver o mundo era de alguém que não se fechava em si mesmo, mas via no outro a razão para continuar lutando. Para ele, ser cristão não era apenas se envolver com o problemas eclesiais, mas com os pobres excluídos e todos aqueles que eram discriminados por suas supostas “diferenças” – no caso dele: ser negro. Luther King foi um verdadeiro profeta, não porque previa o futuro, mas porque preferiu falar e apontar o mal a calar-se tornando-se cúmplice pelo silêncio. Em um de seus mais famosos discursos “I Have a Dream” (Eu tenho um sonho) ele elenca suas pretensões de uma sociedade justa e igualitária.

“Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença – nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.”

Mas, infelizmente, o herói e sonhador da luta por igualdade dos negros, da conquista da liberdade, dos direitos civis reconhecidos e da harmonia racial nos Estados Unidos, foi assassinado em Memphis, no Tennessee. Martin Luther King Jr. aos 39 anos, foi baleado na varanda de um Hotel Lorraine, onde estava hospedado. Um projetil de alto calibre atingiu seu no pescoço o arremessando a metros distancia levando-o a morte. King havia recebido o prêmio Nobel da Paz de 1964, quatro o anos antes de sua morte.

No entanto, a ética cristã de King ainda ecoa como um alarido de “guerra” a não-violência, em meio a uma sociedade de valores questionáveis, e em um sistema opressor e imperialista. Se fomos a favor de leis que dissemina a violência como forma de “educar” estamos fomentando o ciclo vicioso ao qual King se referia. Se não conseguimos pagar o mal com o bem, somos tão maldosos quanto o que nos causa mal. Só mostramos que somos bons, quando nos diferenciamos de quem julgamos ser mal. Quem fomenta o mal, sempre se alimentará dele.

Em seu último sermão o grande sonhador fala como que prevendo sua morte, mas profere palavras de um destemido e incansável guerreiro, tal como Moisés ao subir na montanha avistando a Terra Prometida:

 “Eu não sei o que acontecerá agora. Temos dias difíceis pela frente. Mas isso realmente não tem importância para mim, agora, porque eu estive no topo da montanha. E eu não me importo. Como todos, eu gostaria de ter uma vida longa. A longevidade tem seu valor. Mas eu não estou preocupado com isso agora. Eu só quero fazer a vontade de Deus.

E Ele me permitiu subir a montanha. E eu olhei ao redor. E eu vi a Terra Prometida. Eu posso não chegar lá com vocês. Mas eu quero que vocês saibam que nós, como um povo, chegaremos à Terra Prometida. Por isso, eu estou feliz, esta noite. Eu não me preocupo com nada. Não tenho medo de homem algum! Meus olhos viram a glória da chegada do Senhor!”

Que Senhor levante mais homens como Martin Luther King Jr.

J.S.

A Igreja, o Mundo e a Política

unnamed (34)

Tenho visto, nas redes sociais, que estão fazendo uns videozinhos falando de leis de fechamento de igrejas e tal, que é no mínimo uma falácia.

Se o Estado fizesse isso (o que não fez nem na época da Ditadura) seria um retrocesso na Constituição Brasileira. É mais fácil insurgir a Terceira Guerra Mundial do que isso acontecer. O que não estão entendendo, é que querem as igrejas bem abertas (pois as mesmas dão muitos votos – o que importa para os políticos) mas querem uma igreja que seja neutra, sem poder de fala, que não denúncia as mazelas da sociedade, a corrupção e o pecado.

Ou seja, uma igreja amiga do mundo, uma igreja comprada pelos mesmos interesses do mundo: o dinheiro, o poder, a má conduta etica e moral, o status, o orgulho, a divisão, a megalomania e o materialismo, a lei do mais forte sobre o pequeno, (gerando a concorrência que é característico das metrópoles), o individualismo e o egocentrismo; o pluralismo e o relativismo.

E isso, diga-se de passagem, já entrou em muitas igrejas desde os tempos de Paulo quando escreveu aos coríntios na Grécia, e quando pastor começou ter status de rei e soberano no tempo de Constantino na Turquia. O mais curioso é que a palavra “Ekklesia” [Igreja] (assembleia para tratar de assuntos da polis), ou seja, das Cidades-Estados na Grecia Antiga, era mesma para a Igreja no Novo Testamento para se reunir em adoração a Deus.

Por isso a luta de Paulo com a contaminação do mundo nos assuntos da “Ekklesia” de Cristo. Isso sim é nossa luta constante e perene, lutar para igreja não se tornar mundo (e mundo aqui, como vocês perceberam pela descrição, e assim também no tempo de Paulo, vai muito além de questões periféricas e banais). Claro que precisamos de homens de Deus na política, que sejam nosso porta-voz e nos represente, mas sem sensacionalismos e apelos para atingirmos esses objetivos.

Volto a falar, esse povo quer as igrejas bem abertas, mas amordaçadas. Sendo assim, nossa preocupação maior, deveria ser de dentro para fora, e não só de fora para dentro. Uma igreja que compartilha os mesmos interesses do mundo, pode ter até um presidente da República pastor, que não causaria o mínimo de impacto na sociedade.

Para terminar, cito-lhes uma carta que um pastor batista, conhecido por todos, que escreveu da cadeia, por lutar por seus direitos, ou melhor, pelo direito dos negros:

Houve um tempo em que a igreja era bastante poderosa – no tempo em que os primeiros cristãos regozijavam-se por ser considerados dignos de ter sofrido por aquilo em que acreditavam. Naqueles dias, a igreja não era apenas um termômetro que registrava as ideias e princípios da opinião pública; era um termostato que transformava os costumes da sociedade. Quando os primeiros cristãos entravam em uma cidade, as pessoas no poder ficavam transtornadas e imediatamente buscavam condenar os cristãos por serem ‘perturbadores da paz’ e ‘forasteiros agitadores’.

Mas os cristãos prosseguiam, com a convicção de que eram ‘uma colônia do céu’, que devia obediência a Deus e não ao homem. Pequenos em número, eram grandes em compromisso. Eles eram intoxicados demais por Deus para serem ‘astronomicamente intimidados’. Com seu esforço e exemplo, puseram um fim em maldades antigas como o infanticídio e duelos de gladiadores. As coisas são diferentes agora. Com tanta frequência a igreja contemporânea é uma voz fraca, ineficaz com um som incerto.

Com tanta frequência é uma arquidefensora do status quo. Longe de se sentir transtornada pela presença da igreja, a estrutura do poder da comunidade normal é confortada pela sanção silenciosa – e com frequência sonora – da igreja das coisas tais como são. Mas o julgamento de Deus pesa sobre a igreja como nunca pesou. Se a igreja atual não recuperar o espírito de sacrifício da igreja primitiva, perderá sua autenticidade, será privada da lealdade de milhões e será descartada como um clube social irrelevante com nenhum significado…” [Trecho da carta de Martin Luther King na prisão em Birminghan]

Que o Senhor sustente sua igreja pura, imaculada e destemida!

Servo de Cristo,

Josias Silva

Rede Sociais – Democracia levado a sério

Group of people with various colors.

Indubitavelmente, as redes sociais são a maior forma de liberdade de expressão inventada nas últimas décadas. Nunca se viu tanto o povo falar do que pensa como se vê hoje através da internet.

Segundo os sociólogos estamos caminhando ruma a uma “Ciberdemocratização”, ou seja, a democracia levado a sério através da opinião pública via internet. Com estes “Ciberespaços” (Facebook, Orkut, Blog etc.) já não é apenas o letrado, o repórter, o jornalista ou as mídias de massas como a televisão e o rádio que têm a palavra e, que, na maior parte dos casos, deturpam e monopolizam a informação para seus interesses -, mas sim: o povo.

Com as redes sociais todos falam, opinam e se expressam livremente sem que haja manipulação de informação. Isso é a verdadeira democracia!! Além, é claro, do entretenimento que é um dos principais quesitos das redes sociais. Mesmo que haja exacerbações, pois liberdade desenfreada pode se tonar “libertinagem”, no entanto, a internet ainda é o maior veículo de comunicação do mundo; a exemplo dos conflitos do Egito – que começaram pelos protestos via internet -, e levou a derrocada do presidente Osni Mubarak.

O Brasil hoje está entre os 10 países de números absolutos de usuário da internet.  O sociólogo André Lemos em seu livro <O futuro da Internet >,  fazendo referência ao Ibop/NetRating – diz que já atingimos 45 milhões de usuários que acessam internet todos os dias (sendo 24, 4 milhões, usuários residenciais).

Segundo o InternetWordStats, (site de estatística populacional do uso da internet), hoje contamos com 1,5 bilhões de usuários de internet no mundo e em todas regiões. Em suma, sou ferrenho defensor das redes sociais, ainda que muitos reclamem disso e daquilo, (como eu próprio já reclamei), que alguns não sabem usar, que desabafam, que exageram, que falam banalidades.

Mas não importa, elas (as redes sociais) foram feitas para isso mesmo. Como eu havia dito acima, a internet hoje é a ferramenta mais democrática que temos nas mãos, doa quem doer –  isto é fato,  goste ou não goste. Basta sabermos tirar vantagens disso da melhor forma possível.  Aí, cabe a cada um.

Acredito muito no exercício das palavras; e aqui, faço jus as palavras de Rubem Alves  ‎”Se a crítica deixa as coisas como estão, por que fazer a crítica da crítica? Se as palavras são vazias de poder, por que usar tantas palavras para discutir o poder? Não, o fato é que todos aqueles que ainda têm a ousadia de falar e escrever, acreditam, ainda que de forma tênue, que o seu falar faz uma diferença“.

Cristo é o maior exemplo disso, através das palavras e de suas atitudes, mudou a história da humanidade. Que saibamos tirar proveito dessa poderosa ferramenta!

Sola Gratia,

Josias Silva, 2013