Sou brasileiro todo dia

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Muitos brasileiros são bem engraçados, alguns, qualquer zum, zum, zum de rede social, já fomenta sua “opinião” e aí, faz de conta que são os “patriotas”.

Em relação aos incomodados com a “Oração pela França” em detrimento da lamentável situação de Mariana – MG, quero tecer algumas ponderações:

Então vamos lá! Amo meu país, e tenho preocupações perenes em relação ao seu estado num geral. Não apenas num momento de calamidade pública proveniente de descuidos da propria ambição humana. Mas num todo: questões ecológicas e ambientais, questões sociais e político-econômicas.

Minha preocupação com meu país não é só no dia de tragédias, Copa ou vésperas de Eleições, minha preocupação, é com gente que morre (todos os dias), em roubos, doenças, fome; etc, por conta de políticas públicas que estão engessada à ideologias partidárias de interesses de grupos minoritários.

Minha preocupação com o Brasil, é com o desmatamento de uma Amazonia, que ocupa uma área de mais de 6,5 milhões de km² na parte norte da América do Sul, passando por nove países: o Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, e que, por conta de interesses nada humano, está acabando com a biodiversidade, escravizando índios, reforçando as mudanças climáticas, etc. Aliás, alguém ja ouvir falar em bioética?

Minha preocupação é com um Estado Democrático de Direito que garanta cidadania justa a todos, ao pobre, ao negro, aos excluídos e todos que compõem o Brasil e que deveriam ser iguais perante a lei e terem os mesmos direitos assistidos.

Minha preocupação é com um Estado que garanta (já que pagamos tantos impostos) boa educação, saúde pública de qualidade e segurança, pois faz medo andar nas ruas das grandes metrópoles brasileiras, o “estado de todos contra todos” como diria Hobbes, nós vemos todos os dias diante de nossos olhos.

Minha preocupação, é com políticas econômicas que garantam ao pobre, não apenas às elites, melhores condições de vida e dignidade ante a sociedade. Minha preocupação com o Brasil, é com uma economia deficitária que nos faz vítimas algozes e escravos de nossa própria liberdade.

Minha preocupação com meu Brasil é com uma educação que não emburreca o brasileiro tornando-o “massa de manobra” diante das corporações midiáticas desse país, fazendo-o dormir o sono da ignorância se conformando com a velha política romana do “Pão e Circo”.

Minha preocupação nesse país, é com uma nação mais justa, menos desigual e mais independente. Desde pequeno eu ouvia dizer que o Brasil era o país do futuro, o futuro chegou e ainda continuamos no passado. Embora eu acredite no meu Brasil, reconheça e conheça seus erros e acertos, penso que ainda falte muito.

É isso. Agora, voltando aos incomodados que se sentiram ultrajados por quem trocou foto do Facebook pela cor da França, ninguém perde brasilidade por se comparecer de povos de outras nações. Isso é o cúmulo da ignorância e falta de respeito com o ser humano! Quando se trata da humanidade, é no mínimo ridículo falar em raça ou etnia, esse discurso não combina com quem diz “sofrer” o lamento de alguém. Vamos parar de hipocrisia!

Com relação a orar por Paris é questão de sentir a dor do próximo que – no momento -, tambem são os franceses, seja ele sangue azul, seja branco ou preto, seja cristão ou islâmico, quando o assunto é vida, somos iguais. Sem contar que o assunto envolve o planeta terra. Aí é questão de ler mais um pouco o que está acontecendo no mundo e assistir menos televisão.

Nosso Brasil? Minas Gerais (em evidência por sua triste e lamentável situação e que necessita de ajuda) Nordeste, Centro-Oeste, enfim, nossa terra? Esse precisa de oração todos os dias e, principalmente, de pessoas honestas e justas que governem bem e pensem um país melhor levando-o a uma práxis desses pensamentos.

E já que falamos também do triste episódio de Mariana (MG), convido o profeta Drummond para que tome a palavra e explique a questão de modo inteligente sem essa crítica hipócrita da hipocrisia dos “nacionalistas” de dia de Copa:

Lira Itabirana”, Carlos Drummond de Andrade, 1984

O Rio? É doce.

A Vale? Amarga.

Ai, antes fosse

Mais leve a carga.

II

Entre estatais

E multinacionais,

Quantos ais!

III

A dívida interna.

A dívida externa

A dívida eterna.

IV

Quantas toneladas exportamos

De ferro?

Quantas lágrimas disfarçamos

Sem berro?

Da Pátria amada Mãe gentil,

J.S.

Martin Luther King: lição de luta social-cristã

Martin L King

Dos homens que fizeram história no mundo, um dos quais deixou marcar indeléveis para a humanidade e que admiro muito é Martin Luther King.

Nascido em 15 de novembro de 1929 em Atlanta – Georgia, filho do reverendo Martin Luther King Sr., e de Alberta Williams Rei, fieis da Igreja Batista Ebenezer de quem herdou a fé cristã. King foi um ativista das causas sociais em favor da liberdade e da igualdade do negro na sociedade americana. Em 1951 gradua-se em Teologia na Morehouse College, doutorando-se posteriormente em Filosofia pela Universidade de Boston.

Em Montgomery, no Estado do Alabama, King assume cargo de pastor, região onde tenebrosos conflitos raciais aconteciam. Após a prisão de uma negra que se recusou dar lugar a um branco no ônibus, indignado, Luther King começou sua luta contra a segregação. Pois nos Estados do sul dos EUA a segregação racial tinha o respaldo da lei. A luta contra a discriminação duraria 381 dias culminando na decisão da Suprema Corte de aniquilá-la da Constituição.

Martin Luther King nos deixou um legado de temas importantes para nossa sociedade atual. Dentre suas agendas, o “Dr. King” – como era conhecido – o racismo era causa primordial de sua luta. Todavia, a “não-violência” era o pilar de sua batalha. King acreditava que os conflitos poderiam ser resolvidos de maneira pacifica e os adversários poderiam ser conciliados através de um determinado compromisso mútuo de não violência. A reconciliação fazia parte sua forma de tratar a violência, para King a luta não poderia ser contra pessoas, mas sim contra um sistema mal, a política opressiva e a injustiça.

Em sua filosofia de trabalho, os três males que deveriam ser combatidos eram: a pobreza; o racismo e o militarismo; segundo ele, este tripé era o que gerava o ciclo vicioso de violência.

Sobre a pobreza nas palavras do próprio King: “Não há nada de novo sobre a pobreza. O que é novo, no entanto, é que agora temos os recursos para se livrar dele. Chegou o momento para uma guerra mundial total contra a pobreza… O bem de vida e do seguro têm também muitas vezes se tornam indiferentes e alheios à pobreza e privação em seu meio. Em última análise, uma grande nação é uma nação compassiva. Nenhum indivíduo ou nação pode ser grande se ele não tem uma preocupação com ‘o menor destes.’”

Sobre o racismo: “O racismo é uma filosofia baseada em um desprezo pela vida. É a afirmação arrogante que uma raça é o centro de valor e objeto de devoção, antes que outras raças devem ajoelhar-se em submissão. É o dogma absurdo que uma raça é responsável por todo o progresso da história e só pode assegurar o progresso do futuro. O racismo é estranhamento total. Ele separa não apenas corpos, mas mentes e espíritos. Inevitavelmente ele desce para infligir homicídio espiritual e física, em cima do grupo para fora “.

Sobre o militarismo: “Uma verdadeira revolução de valores imporão as mãos sobre a ordem do mundo (…). Esta forma de resolver diferenças não é justo. Esta maneira de queimar seres humanos com napalm, de encher casas da nossa nação com os órfãos e as viúvas, de injetar drogas venenosas do ódio nas veias de pessoas normalmente humanas, de enviar homens à casa dos campos de batalha escuras e sangrentas deficientes físicos psicologicamente perturbado, não pode ser conciliada com sabedoria, justiça e amor. Uma nação que continua ano após ano a gastar mais dinheiro em defesa militar do que em programas de elevação social está se aproximando da morte espiritual.

Percebe-se claramente que King era um aurato da justiça, sua forma de ver o mundo era de alguém que não se fechava em si mesmo, mas via no outro a razão para continuar lutando. Para ele, ser cristão não era apenas se envolver com o problemas eclesiais, mas com os pobres excluídos e todos aqueles que eram discriminados por suas supostas “diferenças” – no caso dele: ser negro. Luther King foi um verdadeiro profeta, não porque previa o futuro, mas porque preferiu falar e apontar o mal a calar-se tornando-se cúmplice pelo silêncio. Em um de seus mais famosos discursos “I Have a Dream” (Eu tenho um sonho) ele elenca suas pretensões de uma sociedade justa e igualitária.

“Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença – nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.”

Mas, infelizmente, o herói e sonhador da luta por igualdade dos negros, da conquista da liberdade, dos direitos civis reconhecidos e da harmonia racial nos Estados Unidos, foi assassinado em Memphis, no Tennessee. Martin Luther King Jr. aos 39 anos, foi baleado na varanda de um Hotel Lorraine, onde estava hospedado. Um projetil de alto calibre atingiu seu no pescoço o arremessando a metros distancia levando-o a morte. King havia recebido o prêmio Nobel da Paz de 1964, quatro o anos antes de sua morte.

No entanto, a ética cristã de King ainda ecoa como um alarido de “guerra” a não-violência, em meio a uma sociedade de valores questionáveis, e em um sistema opressor e imperialista. Se fomos a favor de leis que dissemina a violência como forma de “educar” estamos fomentando o ciclo vicioso ao qual King se referia. Se não conseguimos pagar o mal com o bem, somos tão maldosos quanto o que nos causa mal. Só mostramos que somos bons, quando nos diferenciamos de quem julgamos ser mal. Quem fomenta o mal, sempre se alimentará dele.

Em seu último sermão o grande sonhador fala como que prevendo sua morte, mas profere palavras de um destemido e incansável guerreiro, tal como Moisés ao subir na montanha avistando a Terra Prometida:

 “Eu não sei o que acontecerá agora. Temos dias difíceis pela frente. Mas isso realmente não tem importância para mim, agora, porque eu estive no topo da montanha. E eu não me importo. Como todos, eu gostaria de ter uma vida longa. A longevidade tem seu valor. Mas eu não estou preocupado com isso agora. Eu só quero fazer a vontade de Deus.

E Ele me permitiu subir a montanha. E eu olhei ao redor. E eu vi a Terra Prometida. Eu posso não chegar lá com vocês. Mas eu quero que vocês saibam que nós, como um povo, chegaremos à Terra Prometida. Por isso, eu estou feliz, esta noite. Eu não me preocupo com nada. Não tenho medo de homem algum! Meus olhos viram a glória da chegada do Senhor!”

Que Senhor levante mais homens como Martin Luther King Jr.

J.S.

Liberdade, Intolerância e Amor

unnamed (3)Liberdade, Intolerância e amor*

Falar de liberdade é falar de um tema muito abrangente e que, por sua vez, demandaria muitas linhas para se dissecar sobre o assunto. Traçaremos apenas um breve relato sem nenhuma profundidade historiográfica sobre alguns acontecimentos que marcaram épocas, culminando numa cosmovisão cristã, a questão da  liberdade e intolerância.

Todos sabem que a liberdade é uma conquista histórica. Por muitos séculos, a intolerância massacrou a vida de inúmeras pessoas tirando-lhes o direito de serem livres. A intolerância matou milhares de pessoas na “santa” inquisição, exercida pela igreja católica romana em nome de “Deus”; a intolerância matou centenas de huguenotes (protestantes franceses) sob o rei Carlos IX na França absolutista, não poupando nem as crianças de colo, na famosa carnificina da noite de São Bartolomeu, no sec.XVI.

A intolerância matou milhares de pessoas nas famosas Cruzadas, lideradas pela Igreja Católica, com o intuito de “libertar” Jerusalém do jugo dos muçulmanos; a intolerância matou milhares de pessoas no fascismo de Mussolini na Itália, todos aqueles que não aceitavam o seu regime eram executados. A intolerância matou pelo menos 6 milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial sob o Nazismo de Hitler, sem contar com a morte de milhares de homossexuais, iugoslavos, eslavos, soviéticos, deficiente físicos e mentais, chineses, japoneses, alemães, americanos, ingleses, civis entre outros.Totalizando o número de mais de 60 milhões de mortos.

A intolerância matou cerca de 20 milhões pessoas no regime comunista da antiga União Soviética, sob Lênin e Stálin; a intolerância deixou a Alemanha dividida por um muro, chamado Muro de Berlim, para que as ideias capitalistas não afetassem as do socialismo.

A intolerância matou mais de 400 pessoas na Ditadura Militar aqui no Brasil sob torturas e humilhações; a intolerância matou inúmeras pessoas em várias partes do mundo, e ainda mata, como ocorre atualmente nos países Árabes. Sabe por que todas essas pessoas morreram e outras ainda morrem? Pelo simples fato de pensarem diferente ou não se enquadrarem ao escopo ideológico de seus sistemas vigentes. Quando eu disse acima que a liberdade é uma conquista histórica, tenho em mente todos esses fatos que apenas resumi aqui, pois não daria para falar de todos.

Ainda que haja pessoas que são escravas de sua liberdade por não saber usá-la, pois por serem livres se esquecem que não possuem apenas direitos, mas também deveres, porém, acho uma benção hoje podermos ser livres para pensar, livres para termos nossa religião e nosso posicionamento político. E Jesus é essa liberdade, ele não força ninguém a ir para o céu nem para o inferno. Como diz as Escrituras: “Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito” (Zc 4.6).

Jesus é educado e deixa cada um decidir o que quer, porque a verdade que liberta, é livre da intolerância. Quem ama não impõe, nem aprisiona, mas deixa livre: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele” (Ap 3,19). Claro que isso não quer dizer que temos que nos calar diante do pecado, não estou dizendo isso. Estou dizendo que amor e intolerância não se combinam. Mesmo que amar seja dizer a verdade: “Melhor é a repreensão aberta do que o amor encoberto.” (Pv 27:5).

Entretanto, uma das maneiras que Jesus usou para alcançar os excluídos, como os samaritanos, os publicanos, os cananeus e os pecadores – que eram marginalizados pela tradição religiosa da época – foi convivendo com as diferenças, mostrando que somos todos iguais diante de Deus. Assim os atraía para os seus ensinamentos, falando a verdade, mas com amor e respeito.

As vezes achamos que as pessoas têm que pensar como nós, agir como nós, ter os mesmos costumes que os nossos, como se fôssemos “perfeitos e absolutos” e quem não faz parte do nosso mundo, excluímos. Tal como os farizeus faziam. Se Jesus fosse agir assim conosco estaríamos perdidos, pois não há quem se salve, se não for pela misericordia dEle “As misericórdias do Senhor são as causas de não sermos consumidos, porque as Suas misericórdias não têm fim” (Lm 3:22). Mesmo que Ele exija santidade de nós, continua sendo humilde e respeitador. O mais irônico é que a maioria das vezes que vemos Jesus falando duramente, foi com os religiosos intolerantes que se sentiam os donos da verdade . Já pararam para pensar nisso?

Enfim, façamos nossa parte de cristãos, anunciando a Jesus e seus mandamentos e, principalmente, o amor, que é o maior deles. Consequentemente, respeitando ao próximo, porque não possuímos a verdade, falamos da verdade que é Cristo, que está em nós ou pelo menos deveria estar. Este sim, é Absoluto, Imultável, Perfeito. Porém nós, somos humanos, limitados, falhos, imperfeitos e suscetíveis a mudanças, pois não somos absolutos, estamos em processo de melhoramento.

Como disse Voltaire, um grande filósofo do século XVIII “A primeira lei da natureza é a tolerância; já que temos todos uma porção de erros e fraquezas“. Então, que vivamos a liberdade de Jesus, e digamos: Não à intolerância! Todavia não para pecarmos, mas para transformarmos o mundo pelo amor de Cristo. “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pela caridade. Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Gl 5:13-14).

Termino citando-lhes as palavras de Agostinho de Hipona: “Quem é bom, é livre, ainda que seja escravo. Quem é mau é escravo, ainda que seja livre.”

Sola Gratia,

__Josias Silva, 2013

*Postagem publicada em 2013 com o título de “Liberdade e Intolerância” – retomada e atualizada por achar que o tema merece relevância na atual conjuntura.

A Igreja, o Mundo e a Política

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Tenho visto, nas redes sociais, que estão fazendo uns videozinhos falando de leis de fechamento de igrejas e tal, que é no mínimo uma falácia.

Se o Estado fizesse isso (o que não fez nem na época da Ditadura) seria um retrocesso na Constituição Brasileira. É mais fácil insurgir a Terceira Guerra Mundial do que isso acontecer. O que não estão entendendo, é que querem as igrejas bem abertas (pois as mesmas dão muitos votos – o que importa para os políticos) mas querem uma igreja que seja neutra, sem poder de fala, que não denúncia as mazelas da sociedade, a corrupção e o pecado.

Ou seja, uma igreja amiga do mundo, uma igreja comprada pelos mesmos interesses do mundo: o dinheiro, o poder, a má conduta etica e moral, o status, o orgulho, a divisão, a megalomania e o materialismo, a lei do mais forte sobre o pequeno, (gerando a concorrência que é característico das metrópoles), o individualismo e o egocentrismo; o pluralismo e o relativismo.

E isso, diga-se de passagem, já entrou em muitas igrejas desde os tempos de Paulo quando escreveu aos coríntios na Grécia, e quando pastor começou ter status de rei e soberano no tempo de Constantino na Turquia. O mais curioso é que a palavra “Ekklesia” [Igreja] (assembleia para tratar de assuntos da polis), ou seja, das Cidades-Estados na Grecia Antiga, era mesma para a Igreja no Novo Testamento para se reunir em adoração a Deus.

Por isso a luta de Paulo com a contaminação do mundo nos assuntos da “Ekklesia” de Cristo. Isso sim é nossa luta constante e perene, lutar para igreja não se tornar mundo (e mundo aqui, como vocês perceberam pela descrição, e assim também no tempo de Paulo, vai muito além de questões periféricas e banais). Claro que precisamos de homens de Deus na política, que sejam nosso porta-voz e nos represente, mas sem sensacionalismos e apelos para atingirmos esses objetivos.

Volto a falar, esse povo quer as igrejas bem abertas, mas amordaçadas. Sendo assim, nossa preocupação maior, deveria ser de dentro para fora, e não só de fora para dentro. Uma igreja que compartilha os mesmos interesses do mundo, pode ter até um presidente da República pastor, que não causaria o mínimo de impacto na sociedade.

Para terminar, cito-lhes uma carta que um pastor batista, conhecido por todos, que escreveu da cadeia, por lutar por seus direitos, ou melhor, pelo direito dos negros:

Houve um tempo em que a igreja era bastante poderosa – no tempo em que os primeiros cristãos regozijavam-se por ser considerados dignos de ter sofrido por aquilo em que acreditavam. Naqueles dias, a igreja não era apenas um termômetro que registrava as ideias e princípios da opinião pública; era um termostato que transformava os costumes da sociedade. Quando os primeiros cristãos entravam em uma cidade, as pessoas no poder ficavam transtornadas e imediatamente buscavam condenar os cristãos por serem ‘perturbadores da paz’ e ‘forasteiros agitadores’.

Mas os cristãos prosseguiam, com a convicção de que eram ‘uma colônia do céu’, que devia obediência a Deus e não ao homem. Pequenos em número, eram grandes em compromisso. Eles eram intoxicados demais por Deus para serem ‘astronomicamente intimidados’. Com seu esforço e exemplo, puseram um fim em maldades antigas como o infanticídio e duelos de gladiadores. As coisas são diferentes agora. Com tanta frequência a igreja contemporânea é uma voz fraca, ineficaz com um som incerto.

Com tanta frequência é uma arquidefensora do status quo. Longe de se sentir transtornada pela presença da igreja, a estrutura do poder da comunidade normal é confortada pela sanção silenciosa – e com frequência sonora – da igreja das coisas tais como são. Mas o julgamento de Deus pesa sobre a igreja como nunca pesou. Se a igreja atual não recuperar o espírito de sacrifício da igreja primitiva, perderá sua autenticidade, será privada da lealdade de milhões e será descartada como um clube social irrelevante com nenhum significado…” [Trecho da carta de Martin Luther King na prisão em Birminghan]

Que o Senhor sustente sua igreja pura, imaculada e destemida!

Servo de Cristo,

Josias Silva

Conflito entre Israel e o Hamas – Breve histórico

unnamed (13)Orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles que te amam.” (Sl 122: 6)

Oremos por Israel para que haja paz, mas também por toda a Palestina. Ainda que nós cristãos amemos Israel, e devemos orar por essa nação, não nos cabe ficar torcendo pelos israelenses e fechando os olhos para os povos inocentes que estão morrendo. Claro que em tudo isso, há questões politicas e religiosas particulares entre eles de não fáceis resoluções. Os bombardeios já deixaram mais de 1.150 mortos e mais de 2000 feridos, para ser mais exato morreram 1.156 palestinos, segundo o porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza, Ashraf al-Kidra.

Desde 8 de julho, quando a ofensiva começou, Israel contabilizou 56 mortos – 53 soldados e três civis. A maior rivalidade entre eles é desde 1948 (falarei disso adiante) e com pouca chance de diálogo por razões politicas e religiosas. Dessa vez, a ofensiva começou por conta de um garoto palestino que foi morto em território israelense, e o na autopsia constatou-se que ele fora queimado vivo.

Isso fez com que os palestinos revidaram com ataques a Israel, e as força armadas israelenses revidaram a altura, atacando a Faixa de Gaza (região de constantes conflitos), mantando centenas de pessoas. Os israelenses, por sua vez, afirmam que o Hamas (que é designado como uma organização terrorista por Israel) é responsáveis pelo sequestro e assassinato de três jovens israelenses no dia 12 junho, fato este que gerou uma onda de extremistas israelenses que também incentivou os atuais conflitos.

Segundo as informações das agências Associated Press, Reuters e AFP. “Israel alega que o Hamas esconde militantes e armas em locais residenciais em Gaza, por isso é necessário atacá-los, mesmo que isso signifique que civis estejam entre as vítimas.” O que ocorre é Israel esta munido de armas poderosíssimas de destruição, e um potente sistema de defesa denominado “Cúpula de Ferro” que faz com que suas vitimas sejam sempre menor do que as dos palestinos que, na maior parte das vezes – são civis. Tentaremos de maneira sucinta entender um pouco do acontece entre esses dois povos.

O conflito

A Faixa de Gaza, é um dos fatores preponderantes que fomenta a não paz entre ambos. A mesma hoje é dominada pelo Hamas, mas seus arredores marítimos são controlados por Israel que bloqueia a passagem por terra no norte e leste, pelo mar a oeste, e também as viagens aéreas. Lembrando que após a Segunda Guerra Mundial, e o massacre de mais de 6 milhões de judeus, a ONU (Organização das Nações Unidas), apoio o Movimento Sionista (idealizada por Theodor Herzl, em 1896) de trazer os judeus para sua terra de origem – “Sião” – ( dai o nome “Sionismo”) e estabeleceu um Estado para Israel em 1948, sob o voto de Minerva pelo brasileiro Osvaldo Arranha.

Os mesmos estavam sem terra desde a dispersão dos judeus no ano 70 d.C por todo o mundo, devido a Guerra Judaica ocorrida com Tito Vespasiano e a derrubada do Templo. Isso para não dizer seculos anteriores a Cristo, sob a dominação da Assíria, da Babilônia, da Pérsia, dos grego-macedônios, ptolomeus, selêucidas e os asmoneus. E é preciso que fique claro também, que antes do genocídio de Hitler, o plano sionista já estava trazendo judeus a Israel, pois já havia um antissemitismo forte na Europa do séc.XlX, principalmente na Russia, onde muitos judeus estavam vivendo em condições de miséria, dado a leis nacionalistas que cada vez mais os afligiam.

Com o fim da guerra e os números de judeus mortos pelos nazistas, muitos dos sobreviventes durante e depois da guerra foram enviados em massas para o Oriente Médio. Muitos morreram nas embarcações dado aos maus tratos e excesso de contingente nos navios. A entrada de milhares de judeus sionistas no pós-guerra, fez com que o índice demográfico de judeus na Palestina superasse o numero de árabes que já viviam la, por isso o deslocamento de muitos árabes em outras regiões. Daí para frente a “Guerra Santa” começou.

Dada a tal dispersão no seculo I, já citada acima, ainda sob o Império Romano, os judeus se espalharam por vários continentes. E com o passar dos anos em decorrência dos vários outros povos que conquistaram aquela religião, tal como os persas Sassânidas os turcos Otomanos e a Inglaterra já em 1917, fazendo com que o numero de judeus diminuíram cada vez mais. A Palestina do sec. XX, já contava com 70% de povos árabes. Não a toa os problemas com eles, pois com o tratado sionista, eles (os árabes) tiveram que se refugiarem em países vizinhos, tal como: a Síria, Líbano, Egito, em condições não muito dignas.

A volta de seus irmãos judeus, revoltou também outros ao seus arredores, onde foi criada a OLP (Organização de Libertação da Palestina), liderada por muito tempo pelo inimigo declarado de Israel – Yasser Arafat. Inclusive, em 1969 houve um plano para o “aniquilação” do Estado de Israel por parte dos seus vizinhos árabes chefiada pelo renomado líder egípcio Gamal Abdel Nasser, o que culminou na Guerra dos Seis Dias, e a vitoria inesperada de Israel em um ataque relâmpago e preventivo contra as forças árabes rivais envolvidas na guerra.

O Oriente Médio já estava povoado pelos árabes juntamente com o israelitas, há mais de 3 mil anos – uma vez que os mesmos são descendentes do Ismael – semita, filho Abraão. Mas sua maior ascensão, principalmente na Palestina – em relação aos árabes, começou desde o séc.Vll a partir do líder Mahomed ou Maomé (profeta maior do Islã). Antes da chegada dos judeus da dispersão, ou seja, em 1948, havia uma relativa “paz” entre eles, seus conflitos  eram isolados, mais pela religião do que pela terra.

Outra razão para os conflitos é que os EUA, inimigo ferrenho dos islamitas por questões políticas e ideológicas – é aliado número um de Israel, por interesses petrolíferos no Oriente Médio. Desde o pacto do sionismo 1948, o governo americano dá total cobertura a Israel. Por isso também os ataque terroristas por parte dos Jihad (ala extremista Islamitas) aos Estados Unidos.

Vários acordos de paz foram feitos, dentre eles o mais conhecido de todos o “Acordo de Oslo” que visava a paz entre Israel e a Palestina com exigências diplomáticas de ambas partes. Assinado em 1993 na Casa Branca, Estados Unidos pelo então presidente de Israel Yitzakn Rabin, Arafat (OLP) e Bill Clinton (EUA). No ano seguinte, Shimon Peres, seu sucessor juntamente com Yitzakn Rabin e Yesser Arafat, receberam o Prêmio Nobel da Paz. Mas, infelizmente, alguns acordos foram quebrados a paz não durou muito. Sendo assim, a briga entre os dois povos é quase que infindável.

Os árabes palestinos querem, na verdade sua “libertação” em relação a Israel na Palestina, pois se sentem donos daquele território. Ou seja, querem um Estado independente e sem Israel. Israel, por sua vez, quer manter-se em sua terra natal e ter sua política e sua religião em paz (o que também é relativamente justo, pelo que sofreram em 3 mil anos de historia sem terra). Mas isto conflita em cheio com os ideias geo-politico-religioso dos árabes, que também carregam o sangue semita e povoaram a região e tem Jerusalém como terceiro lugar sagrado, depois de Meca e Medina na Arábia Saudita, terra de Maomé.

Para tanto, Israel impõe seu poderio bélico não aceitando um acordo de paz que de poder de fogo também para os palestinos, por conta dos famigerados ataques da ala extremista do islã, que se vêem como representantes do povo palestino e defensores da religião de Ala – tal como o Hamas. Por outro lado, é inaceitável aos palestinos ter um Estado sob a tutela de Israel. Noutras palavras, a paz ali é quase que impossível.

Considerações Finais

Enfim, falar de todos conflitos, as razões gerais e históricas, demandaria um estudo extenso. Em minhas palavras quis apenas dar uma exageradamente sucinta ideia do que ocorre, faltou um emaranhado de fatos importantes que ocorreram desde 1948 para cá. Só para entender o século 20 em relação a estas questões, precisaríamos de estudos exaustivos. Alem de notícias da atualidade, como revistas e jornais, utilizei alguns livros para consultas e os mencionei abaixo para quem tiver um interesse menos superficial do assunto.

Procurei ponderar os fatos – de maneira simplista, porem objetiva, para aqueles que não entendem nada do que ocorre nos conflitos, alem das questões bíblicas e religiosas já sabidas por muitos. No entanto, deixo claro que não estou advogando os palestinos, muito menos defendo Israel se tiver errado. Sou a favor da paz entre ambos. Sei do direto de Israel se defender, eu sendo brasileiro, por exemplo, não gostaria de ver pessoas atacando meu país com intenção de extermina-lo para domínio-lo, e as forças armadas do Brasil deixar-se dominar em nome da paz.

Sei da necessidade da guerra em alguns momentos, (ainda que eu seja contra) não há melindres quanto a isso, embora, é claro, guerra nunca é algo bom para ambos lados. Também quero salientar que entendo, em partes, a insatisfação dos árabes palestinos, mas não apoio atos terroristas. Quanto ao meu modo de ver Israel, antes que os “doutores” da lei venham me apedrejar, percebam que em nenhum momento me posicionei teologicamente, isso já seria outro assunto. Mantive-me apenas no campo histórico-politico – nada mais.

Que Deus tenha misericórdia tanto de Israel como dos palestinos. Não somos judeus nem árabes, somos cristãos, nossa luta é contra o ódio, nossa bandeira é a paz. Slalom!

Servo de Cristo,

Josias Silva

Obras consultadas:

BRENNER, Michael. Breve História dos Judeus. São Paulo: Martins Fontes, 2013.

BECKER, Idel. Pequena História da Civilização Ocidental: São Paulo, Companhia Editorial Nacional, 1973.

HOURANI, Albert Habib. Uma História dos Árabes, São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

MONTEFIORE, Simon Sebag. Jerusalem: a biografia, São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

SAID, Edward W. Cultura e imperalismo, São Paulo: Companhia das Letras, 2011.